Eles não aceitam as imposições mercadológicas dos meios visuais e acreditam que a arte deve ser discutida. Foi uma rápida passagem pelo site da Bienal Mercosul que me despertou o interesse pelo trabalho do CDM – Centro de Desintoxicação Midiática – para saber mais sobre as propostas Re-ações Públicas por este organizadas, uma espécie de protesto criativo acerca da publicidade, da arte contemporânea, do design e das áreas neste âmbito implícitas. Na Bienal Mercosul, a exposição do Grupo consiste em intervenções sonoras, com frases dos diários do artista americano John Cage, e com vinhetas com frases de efeito criadas pelos integrantes. Confira a seguir a entrevista na íntegra, com dois dos três integrantes do CDM, Leonardo Furtado e Ricardo Mello, realizada no último sábado, 31, via MSN.
Desde quando existe o Centro de Desintoxicação Midiática? E como foi que ele surgiu?
O CDM existe desde julho de 2003, eu (Leonardo Furtado) [http://leofurtado.multiply.com/] e o Ricardo Mello alugamos um espaço para que pudessemos desenvolver nossos trabalhos individuais no campo da pintura e do desenho. No início daquele ano tinhamos concluido o curso de Design Gráfico. Em junho de 2004 o Pablo de la Rocha ingressou no grupo e saiu em setembro de 2007. Em 2005 o Eduardo Silveira entrou no grupo e continua com a gente até hoje. Somos todos formados em Design Gráfico pela UFPel.
Qual é a intenção do grupo? Vocês se difiniriam como um grupo de protestos criativos?
A nossa intenção é desenvolver um trabalho de caráter experimental, não aceitando o senso comum e as imposições mercadológicas dos meios visuais. Somos interessados em discussões acerca da arte contemporânea, publicidade, design, questões sociais e os pontos onde essas diferentes áreas convergem. A partir destas discussões, o grupo propõe e realiza “Re-Ações Públicas” sistemáticas.
O que são essas Re-ações Públicas?
As Re-Ações Públicas são colagens e interferências urbanas que utilizam meios gráficos, sonoros e eletrônicos, e agregam conceitos de criação poética de cada um dos membros do grupo. Tratam-se de trabalhos que se inserem diretamente no tecido urbano, e que rompem assim quaisquer relações com os espaços institucionalizados e convencionais de exposição de arte, abstendo-se da dependência do circuito artístico, com tudo que isto implica – positiva e negativamente – em relação às percepções específicas destes trabalhos e suas possíveis leituras.
Qual foi a primeira intervenção que o CDM fez?
Bom, foi em junho de 2004. O que aconteceu foi que eu (Ricardo) e o Leonardo já alugávamos a garagem desde 2003. Daí a gente soube de um movimento que estava rolando em São Paulo, promovido pela Flavia Vivacqua, a Rede CORO. E eles estavam fazendo uma convocatória para que coletivos em outras partes do país saissem às ruas num determinado dia para realizar alguma intervenção, que era justamente no dia 6 de junho de 2004. Então a gente achou aquilo uma proposta muito massa, e resolvemos participar também, fazendo colagens de trabalhos nossos em Pelotas.
O Pablo de la Rocha também participou junto comigo e com o Leonardo, com lambe-lambes e a partir daí ele passou a fazer parte do coletivo também, até 2007, quando ele mesmo resolveu se desligar do grupo.
Aqui vai um trecho do nosso dossiê sobre a Re-Ação (como começamos a chamar essas atividades de colagens noturnas):
“As intervenções agregaram os conceitos de cada membro do coletivo através da colagem de stickers, cartazes tipo lambe-lambe e estênceis em muros e outros lugares “abandonados”, onde já existia poluição urbana.”
E vale lembrar, também, que não só as colagens que fazemos na noite, mas também as outras intervenções urbanas chamam-se “Re-Ações Públicas”.
E quanto a Bienal Mercosul? Como surgiu a oportunidade para expor? Como tem sido a recepção do pessoal com as obras de vocês lá?
Bem, a mostra Projetáveis teve um edital aberto para artistas, literalmente, do mundo todo, e a gente foi selecionado pelo curador Roberto Jacoby, que foi o principal responsável pelo Projetáveis.
Quanto a recepção, como a gente não está em Porto Alegre, por enquanto estamos um pouco longe de como está sendo essa recepção, mas tivemos a oportunidade de conhecer alguns mediadores e teremos (queremos muito saber, inclusive) esse retorno, de saber como o trabalho é “visto” (ouvido na verdade), até porque já executamos várias vezes esse trabalho na rua e na rua você nunca tem a dimensão de como e o quanto o trabalho é percebido. Então é uma oportunidade incrível, também por esse lado.
Links relacionados:
http://www.fotolog.com.br/grupocdm
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=30948
Por Melissa Resch











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