Ao patrimônio maior
À fidelidade do patético interior humano
À beleza de toda a rústica e incrédula solidão
Aos dias nublados do longo ano
Às frases piegas da velha canção
Meus agradecimentos freudianos
À todo o mar de egoístas compreensões
À vulgaridade de todas as religiões
À falsa moral de todos os terapeutas que retomam a imunidade de asquerosos corações
Minha eterna gratidão aos lindos rostos feios da próxima esquina
Ao conselho nostálgico e egocêntrico do amargurado ansião
Às indubitávies humanas expressões do soldado
Que no ridículo jogo da morte, lançou seu dado
Ofereço minha sincera petulância
Que o olhar atravessa a neve ardente
Afogando em flocos a reprimida ãnsia
E irradiando a mais profana ironia, que evitou o rangido do dente
Que aquele que espera, jamais por isso alcance
E que o opaco de qualquer brilhante olhar
Força puramente humana me lance
Para que a vida, eterna não seja
Mas para que a cética razão
encontre a final eternidade, que há séculos almeja
Melissa Resch.
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