Bresson – Um mestre da sensibilidade fotográfica
Livre, imprevisível, lírico, um gênio que abominava limites e prisões. Nascido em 22 de agosto de 1908 e considerado um dos maiores mestres da fotografia do século 20, Henry Cartier Bresson, é citado hoje como o pai do fotojornalismo moderno. Um excelente técnico da imagem? Definitivamente não. Bresson justificava a qualidade de seu trabalho com a sensibilidade com que enxergava o mundo ao seu redor e a imaginação que fundia com os pixels da vida. Também pintor, o francês teria largado as tintas e pincéis ao se deparar com uma imagem de Martin Munkacsi, a qual teria o feito apaixonar-se pela fotografia. O espírito da arte de Bresson dispensava cenários artificiais e transmitia a realidade de forma nua, bela e expressiva.
Fotografando desde criança, qualquer conhecimento técnico necessário na fotografia foi adquirido de forma empírica por Bresson ou através de estudos independentes, analisando a obra de outros fotógrafos e tomando conhecimento a respeito da teoria da fotografia, o que lhe permitiu utilizar imagens como uma forma de expressão e segundos de combinações visuais – que aos seus olhos tornavam-se momentos decisivos – para fazer com que imagens falassem por si só e com que a história fosse eternizada por uma câmera. Enquanto outros fotógrafos gastavam seu tempo escolhendo o que de mais surreal havia em uma imagem, Bresson fotografava o simples e o tornava peculiar, histórico, impregnado de riqueza imagética.
Dotado de um caráter intimista, o artista francês influenciou muitos profissionais da fotografia, como por exemplo Marc Riboud, que recentemente esteve no RS e comentou a importância que Bresson teve em sua carreira, tendo inspirado a sensibilidade visual no fotojornalismo de qualidade e mostrando que é possível unir intelectualidade fotográfica com profissionalismo. Para o professor de fotojornalismo da UFSM, Carlos Dominguez, Bresson foi e é uma referência não só para profissionais do jornalismo, mas de qualquer especificidade da fotografia. O professor admira, sobretudo, a sensibilidade do fotógrafo: “Ele fazia registros do cotidiano de forma simples, usando de uma beleza e técnica excepcionais”.
Junto com outros grandes nome da fotografia, como David Seymour e George Rodger, Bresson fundou a agência cooperativa de fotografias Magnum. Além disso, teve seus trabalhos estampados nas páginas de grandes revistas como as famosas “Life” e “Vogue”. Nos anos de 1970 volta a pintar e produz retratos de personalidades como Matisse, Sartre, Picasso e também de anônimos. Em decorrência de sua genialidade, conquistou uma gigantesca gama de fãs pelo mundo. Um deles, o estudante paranaense Felipe Maciel, acredita que Bresson viva o seu próprio contexto, do qual criava um universo único e próprio. “Bresson não se define em palavras, mas em imagens”, comenta Felipe.
Ao contrário de Aristóteles, Bresson acreditava que a fotografia não era uma imitação da natureza e portanto, subtraia de suas imagens as cores, pois acreditava que estas, as cores, fossem supérfluas e que sobravam no mundo da representação fotográfica. Roubava suas imagens das ruas e através delas mostrava que a qualidade imagética de seu trabalho não dizia respeito às grandes marcas das câmeras que usava, mas sim à simplicidade glamourosa de seu olhar fotográfico – um paradoxo que só se compreende quando fixamos os olhos em uma das grandes obras de um genio cujo olhar estará sempre na história da imagem. “Eu andava o dia inteiro com o espírito alerta, procurando nas ruas a oportunidade de fazer ao vivo fotos como flagrantes delitos. Tinha, sobretudo, o desejo de captar numa só imagem o essencial de uma cena que surgisse” conta em um de seus textos, “O Instante Decisivo”. Um mestre que se encarregou de registrar a vida em preto em branco, usando para isso uma câmera que em suas mãos tornava-se instrumento da realidade na sua mais peculiar forma, esse foi Henry Cartier Bresson.
Por Melissa Resch e Tainan Tomazetti
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