Mais um poeta menino
A infância, a religiosidade e a sexualização são marcas profundas na literatura do poeta Felipe Freitag, nascido em Frederico Westphalen, na região do Alto Uruguai do RS. Ele viveu sua infância entre as laranjeiras e a vida simples da cidadezinha de Vista Alegre, onde desde criança gostava de escrever, embora fosse sempre reprimido pelos professores devido ao forte lirismo e a profunda subjetividade em suas obras.
Aos 18 anos, depois de uma forte crise de depressão encontrou na poesia o seu arcabouço para enfrentar o mundo. Começou a escrever incessantemente, por dias a fio, trancado em seu quarto. Surgiram poemas quase todo ligados a questão da morte e do sofrimento. Era o que segundo ele, podia extrair do que estava vivendo. Seus medos, suas angustias, sua solidão. Tudo isso foi tencionado na sua poesia inicial. Em nossa conversa Felipe me conta: “Eu era o menino mais frágil que existia, monstros horrendos me cercavam, me sentia deslocado no mundo, queria mais das coisas, mais do mundo, uma realidade mais suave, mas não menos intensa. Queria fugir, fugir sem rumo, ter um porto seguro.”
A infância, a religiosidade e a sexualização são marcas profundas na literatura do poeta Felipe Freitag, nascido em Frederico Westphalen, na região do Alto Uruguai do RS. Aos 18 anos, depois de uma forte crise de depressão encontrou na poesia o seu arcabouço para enfrentar o mundo. Começou a escrever incessantemente, por dias a fio, trancado em seu quarto. Surgiram poemas quase todo ligados a questão da morte e do sofrimento. Era o que segundo ele, podia extrair do que estava vivendo. Seus medos, suas angustias, sua solidão. Tudo isso foi tencionado na sua poesia inicial.
Felipe Freitag (Foto de: Lara Niederauer)
Segundo Camille Claudel, escultora francesa, existe sempre alguma coisa ausente que nos atormenta, o que acabou se tornando constante na vida do poeta. “Sempre me atormentei com quase tudo, assim me tornei um bichinho esquisito desde sempre. Fui criando manias, fui me desesperando com o mundo que não me aceitava. Meus traumas vem de vários traumas de infância. Tive um olho furado muito cedo, tive que aprender a notar o mundo com a visão de apenas um olho, me sentia acoado e ridicularizado por isso” afirma.
Felipe afirma sua paixão alucinada pelo contista Caio Fernando Abreu, do qual bebe toda sua fonte, na qual concebe uma literatura ‘que faz doer’, que o humaniza em sentido completo, e porque humaniza faz viver. Ele me revela que “Caio era um estrangeiro em qualquer lugar. Caio se sentia desconectado em tudo. Eu sou assim, sempre fui. Devaneava sempre, divagava comigo mesmo. A força de Caio é a minha força, nossas literaturas são irmãs. Somos unidos pela ligação de descolamento da realidade, somos unidos pela sexualidade latente, somos unidos pela rejeição do mundo.”
Além da poesia isso também é observado em outras de pequenas produções, como o roteiro do curta PORQUE O AMOR VAI MUITO ALÉM DE UMA MAÇA, que propõe, numa identidade romântica e social, “o homossexual masculino como um homem que ama outro homem, e não apenas que faz sexo com ele.” Tanto pela sua poesia, como em outros espaços ele afirma a posição da mulher e do homem homossexual como um ser social, não diferente dos demais, “apenas querendo serem percebidos como cidadãos, que amam acima de tudo.”
Link para o vídeo Porque o amor vai muito além de uma maça: http://www.youtube.com/watch?v=l4NHQCW_q7I
Por Alisson Machado.
';var monta8='Rádio Cesnors';